"The only way of catching a train I have ever discovered is to miss the train before." Chesterton (1874 -1936)
Rewind
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
TU|
Há o teu rosto bordado no fundo da noite
Enquanto a cidade dorme e tudo se emudece
E teus beijos são como promessas
Que a tua boca pequena me fizesse
Há na minha pele o arrepio do espanto
Uma catedral inteira, um delicioso encanto
Um abismo de chão e de silêncio
Um corredor de luz e sofrimento
E tudo é um precipitar do corpo
Um agigantar inteiro da minh' alma
Como se o dia ainda não estivesse morto
E tudo já chegasse só com calma
Já dormem no céu as cores do mundo
E tudo é somente um prazer tão profundo
Que nascem dos olhos com que beijo
Ondas fulgurantes de desejo
Há flores caídas no teu cabelo
Primaveras desmaiadas no teu regaço
És tu quem ouve o meu apelo
E tudo no mar cheira a sargaço
Demora o ar perto dos meus lábios
E esquecida, serena, junto a mim
Do mundo, da lei e dos seus sábios
Entrega-me, plena, o teu corpo de cetim
Não vás enquanto o mundo se esquece
E se cala o rumor das avenidas
Enquanto tudo o que é furor se desvanece
E por ti me saram todas as feridas.
Enquanto a cidade dorme e tudo se emudece
E teus beijos são como promessas
Que a tua boca pequena me fizesse
Há na minha pele o arrepio do espanto
Uma catedral inteira, um delicioso encanto
Um abismo de chão e de silêncio
Um corredor de luz e sofrimento
E tudo é um precipitar do corpo
Um agigantar inteiro da minh' alma
Como se o dia ainda não estivesse morto
E tudo já chegasse só com calma
Já dormem no céu as cores do mundo
E tudo é somente um prazer tão profundo
Que nascem dos olhos com que beijo
Ondas fulgurantes de desejo
Há flores caídas no teu cabelo
Primaveras desmaiadas no teu regaço
És tu quem ouve o meu apelo
E tudo no mar cheira a sargaço
Demora o ar perto dos meus lábios
E esquecida, serena, junto a mim
Do mundo, da lei e dos seus sábios
Entrega-me, plena, o teu corpo de cetim
Não vás enquanto o mundo se esquece
E se cala o rumor das avenidas
Enquanto tudo o que é furor se desvanece
E por ti me saram todas as feridas.
RM
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Avó,
Criei para ti um mundo de horas longas
Como colos doces que te abriguem
Como desejos sem medida e sem tamanho
Sem noite, sem sombra e sem mais nada
Que não o brilho do teu rosto iluminado.
Sonhei por ti um diálogo imenso
Um abraço, um encontro assim supenso
E risos perfumados como incenso.
Inventei por ti uma verdade
Pedi mais tempo, mais céu, mais firmamento
Como um espelho todo luz sobre a cidade.
Esqueci os nomes, as formas e os caminhos
E larguei solta a palavra no silêncio
Deixei-nos sorrindo os dois sozinhos
Abrigados inteiros num incêndio
Neguei-te o descanso e quis correr para ti em euforia
Sempre menino, sempre alegre e agitado
Guardando nas veias a alegria
O néctar da vida assim sagrado.
Guardei-te em mim como um segredo
Como um lençol de calma e harmonia
Como o rumor de gente sobre o dia
Ou lágrimas de espuma num rochedo.
Decorei inteiro o teu nome e o teu gesto
Para chamá-lo sempre doce sobre os dias
Para erguer com a fome de um protesto
O mundo completo que querias.
Como colos doces que te abriguem
Como desejos sem medida e sem tamanho
Sem noite, sem sombra e sem mais nada
Que não o brilho do teu rosto iluminado.
Sonhei por ti um diálogo imenso
Um abraço, um encontro assim supenso
E risos perfumados como incenso.
Inventei por ti uma verdade
Pedi mais tempo, mais céu, mais firmamento
Como um espelho todo luz sobre a cidade.
Esqueci os nomes, as formas e os caminhos
E larguei solta a palavra no silêncio
Deixei-nos sorrindo os dois sozinhos
Abrigados inteiros num incêndio
Neguei-te o descanso e quis correr para ti em euforia
Sempre menino, sempre alegre e agitado
Guardando nas veias a alegria
O néctar da vida assim sagrado.
Guardei-te em mim como um segredo
Como um lençol de calma e harmonia
Como o rumor de gente sobre o dia
Ou lágrimas de espuma num rochedo.
Decorei inteiro o teu nome e o teu gesto
Para chamá-lo sempre doce sobre os dias
Para erguer com a fome de um protesto
O mundo completo que querias.
RM
domingo, 17 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sozinha|
Sozinha enquanto fumas lenta
A mente e cansado o corpo
Há no fundo dos meus olhos que te fixam
Um rumor de veias que se expande.
Sozinha enquanto fumas e te abandonas
Há nas tuas costas um lume que te envolve
Como seda fina que revela
Como um caminho suave que devolve
Sozinha enquanto fumas e contemplas
E tudo se suspende e se adia
Há por nascer uma Primavera de flores imensas
E sombras por varrer da luz do dia
Sozinha enquanto fumas e te vejo
São meus braços quem fala e te acolhe
Quem chama e protesta e escolhe
Sozinha enquanto fumas e me olhas
Pede o meu corpo inteiro que me escolhas
E que tudo se atrase, se demore e se deleite
Numa hora de esperança tão perfeita.
A mente e cansado o corpo
Há no fundo dos meus olhos que te fixam
Um rumor de veias que se expande.
Sozinha enquanto fumas e te abandonas
Há nas tuas costas um lume que te envolve
Como seda fina que revela
Como um caminho suave que devolve
Sozinha enquanto fumas e contemplas
E tudo se suspende e se adia
Há por nascer uma Primavera de flores imensas
E sombras por varrer da luz do dia
Sozinha enquanto fumas e te vejo
São meus braços quem fala e te acolhe
Quem chama e protesta e escolhe
Sozinha enquanto fumas e me olhas
Pede o meu corpo inteiro que me escolhas
E que tudo se atrase, se demore e se deleite
Numa hora de esperança tão perfeita.
RM
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