Rewind

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

mão.

A tua mão.
Minha mão.
tua mão minha
mão. tua.
RPM.

sonho.

A manhã que nasce e a cor que volta
Ao corpo da cidade
Os teus olhos que abrem de novo
Enquanto a vida volta ao teu corpo
O silêncio e a alegria sonora
Do teu sorriso
O murmúrio dos lençóis
Como uma valsa
É a cidade que acorda
E nós começamos a sonhar.
RPM.

domingo, 16 de janeiro de 2011

luz.

O Sol a derreter as horas
Como num longo sono
O ar quieto contigo
A prometer-me a noite
Com uma luz caindo nos contornos
Do teu sorriso.
O rumor distante do mundo
E sempre as tuas mãos
A segurar vencido
O meu coração
O Sol que se apaga
E os contornos do teu desejo
Bordados com a linha do teu respirar
Perto de mim.
Os dias somam-se e quem segue
Somos nós.
Com o nome um do outro escrito
Nas pulsações de um dia de luz.
Ricardo Pinto Mesquita

better be_anna ternheim.

granito.

Viver é ir-se perdendo. Reconhecer que jamais as horas serão povoadas desses acasos que o amor faz nascer nas dobras do tempo. O tempo é a casa do familiar, como se pendurássemos nas suas paredes todo esse manancial de efémeros que queremos que fiquem.
Perceber uma perda - reconhecer que as horas serão necessariamente o que acontece com essa ausência perto de nós. De súbito, perceber que as tardes, os gestos, os dias e as palavras são bóias num naufrágio de saudade.
Olhar em volta e ver os vazios - desses a quem decoramos o tamanho do corpo, com quem descobrimos o tamanho que os desejos tinham só por causa deles. E continuar com eles presos no sangue, sentir os passos recentes da sua lembrança, como se chegados há pouco. Sentir sempre o seu nome escrito na palma das mãos com que se firmou todo o não dito,que foi o que sempre falou mais alto.
Viver é ir aprendendo a amar sem um corpo. Com o volume das perdas, com essa espessura informe que passamos a trazer connosco, percebemos que estamos a envelhecer.
É próprio dos dias mais tenros amar-se com esse amor solar do físico, do certo, do chão de granito em que assentamos o nosso amor e o vamos receber dos outros.
À medida que os dias nos engradecem aprendemos um novo tipo de amor - esse que mora escondido debaixo da pele e que nos prende na carne esse desejo de guardar contra o mundo a prova da nossa humanidade. Envelhecer é ir abandonando o corpo - e recordar a pessoa que mora nos gestos que a nossa pele ainda sente, apesar do tempo. É recordar a pessoa que nos acende o olhar enquanto a chuva inunda de cinza as fachadas dos prédios que achamos sozinhos e tristes.
E, de súbito, já não são os lábios, as mãos e o olhar. É, sim, a pessoa cuja lembrança torna todos os dias como o primeiro. O Sol que nos ilumina hoje é essa justa medida que sentimos na carne quando, pelas ruas, sentimos como o granito do chão, a felicidade de um amor que não acaba.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Arnaldo Mesquita 1930 - 2011


Seja a Esperança!

Seja! Seja a
Esperança
altaneira
e nos faça
ela também
progredir!
Progredir
pela Vida
toda inteira!
Nunca! Nunca
vos assuste
a canseira!
Saibamos nós,
sim e enfim
progredir!
Progredir
pela Vida
toda inteira!

Arnaldo Mesquita in "Nascido no Monte"


À memória do meu saudoso Tio-Avô, por ter guardado no peito um ideal maior do que a Vida.
E por um dia me ter dito "Tu és o futuro. Fá-lo acontecer mais cedo."
Até amanhã, camarada!