Rewind

segunda-feira, 28 de julho de 2014

acaso,

na solidão de todas as sombras falta abrir a janela infinita dos teus olhos
e na pele de todas as coisas deixar cair levemente o mistério do teu cheiro
meu amor, continuam teus dedos galopando-me sempre a escada do peito
como se nos degraus do acaso fossem meus lábios morder os teus

meus olhos ficaram presos no vidro quente da varanda de onde te via
no ferro retorcido ainda fervem os desejos que trago escritos nos dedos
e sei no voo dos pássaros rasgando o tecido fino da tarde que se deita
que ficaram por atar, junto da praia, os teus braços no lume sincero dos meus

como se de um jardim sereno só tu e apenas tu trouxesses as flores
e por tua mão em todas as fontes o tempo escorregasse devagar
pedi que fosses tu aquela que vinha atravessando a espessura vazia das ruas
para que fosse de novo verdade que havia luz e eras minha

vem abrir de novo os caminhos por entre a vastidão da espera
senta-te ali de onde se vê que o rio passa devagar num beijo lento
vem olhar o mar que abre os braços ao fundo por entre a areia
sempre voltando a tempo de ser tempo de um regresso

RM


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