Rewind

terça-feira, 1 de julho de 2014

no tempo,

no tempo em que todas as manhãs eram regresso
e sem demora se erguia no silêncio a tua sombra
tua boca era um rumor de folhagem ardendo no escuro
e meus olhos eram todos essa urgência do que é teu

no tempo em as esquinas se encolhiam num abraço
e era sempre doce o colo dos poentes clandestinos
todas as flores se abriam serenas nos teus olhos
e era ainda e sempre hora de ficar

no tempo em que os ossos se atavam em segredo
e no sangue houve marés de um desejo eterno e longo
na luz da tua ausência o mundo era uma pálida demora
e nas sílabas do teu nome era ainda vivo o horizonte

no tempo em que de longe me chegavam tuas cartas
e a saliva dos meus lábios sempre trazia saudade
na areia se gastava o tempo suspenso da distância
e em meus braços se abria a praia de um eterno recomeço

no tempo em que julgámos ser eternos
e erguemos sobre as rochas cidades de sonho e de amanhã
havia infinito na enseada do mistério do teu corpo
como se os pássaros pudessem para sempre descansar

RM
Enviar um comentário