Rewind

sábado, 7 de março de 2015

Parabéns, Gó.

06.03.
 
Gó,
 
Chego à porta de tua casa.
 
O dia está limpo e no jardim, do lado de dentro do portão, já há flores.

São camélias.
 
Decido chamar-te:
 
 
E tu vens logo, como sempre.
 
Trazes nos olhos uns braços que chegam ansiosos e dizem saudade.
 
Ricardinho, como está? Que saudades, Ricardinho!.
 
Quase posso jurar que ninguém me chama Ricardinho como tu, malandra.
 
Como ninguém cozinha bifes com ovo ao Domingo à noite como tu.
 
Ou ninguém tem uma fé com a luz e a verdade da tua.
 
Venho ver-te para que o tempo pare. Venho ver-te para falar do Avô com quem o conheceu tão bem.
 
Venho ver-te para nos rirmos das cócegas que eu e o A. te fazíamos na missa ou de quando nós os dois te pedíamos para ver uma galinha por dentro.
 
Venho ver-te porque é tão fácil e os teus braços têm sempre o tamanho do que me falta.
 
Dizes-me
 
Sabe o que me alegra muito, menino? Que seja sempre tão amigo dos seus Papás, das suas Avózinhas e do Dédé.
 
[Dédé para sempre.]
 
E teu, respondo-te.
 
Sim, e meu.
 
Conheces-me tão bem, penso eu.
 
O meu coração é como um portão fechado onde há um jardim com flores.
 
E, juntos, os meus Pais, os Avós, o A. e tu são uma promessa de Primavera no chão de tudo.
 
Gosto muito de ti, Gó.
 
Vim mesmo foi para te dizer
 
Obrigado.

mais uma vez.
 
E lembrar-me de como o Jesus era bonito na tua boca, de como agradeceste todas as nossas alegrias como se fossem as tuas e de como nos adoçaste as tristezas do caminho.
 
Venho porque me apetece ser criança outra vez - e correr nos terraços de casas onde os Avós não morrem, os Pais não envelhecem e as empregadas são do sangue que o nosso coração queria ter dentro.
 
[e tem]

Venho para gostar de perto - tu sabes que eu só gosto assim.

Venho, porque sim.

Venho por tudo.

E virei sempre.

Só para chamar

!

E caber inteiro no teu abraço.

(sabes, ou eu não cresci ou tu tens sempre o tamanho do que me falta.)

Parabéns, Gó!
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