Rewind

domingo, 16 de agosto de 2015

o vento sem mapa|

também o vento vem sem mapa, amor

e repete nos poros do caminho o teu nome

uma, duas, muitas, todas as vezes


olha o vento a fingir que é verão

se calhar, podíamos retomar o poema

que dizes,

de enfeitares, de novo, o cabelo

com a madrugada inteira do meu desejo


sabes, amor, a saudade é a espera entre sonhos

podias voltar a tempo de me leres baixinho -

é outra vez verão nessa página

desarrumemos a distância como as gavetas onde deixamos a roupa


amor, faz como o vento e passa por aqui outra vez

veste a minha camisa outra vez

e lê-me baixinho

pega num cigarro, se quiseres

eu deixo.


lê-me como se me esperasses

veste, se puderes, a camisa azul

e vê que o bolso traz o teu nome escrito


foi a saudade que o bordou

[do lado de dentro.]


RM
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