Rewind

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Mãe,

Esperaste-me, Mãe. 

no princípio, deste-me o nome e acendeste o escuro. 

Esperaste-me, Mãe. 

os bolsos tão cheios de sonhos, a porta de casa que nunca mais deixaste trancada. 

Esperaste-me, Mãe. 

e dançaste-me na barriga ao som dos vinis que ouvias à noite. 

Esperaste-me, Mãe. 

e foi a tua mão que me lavou da pele o medo, a saudade, a tristeza. 

Esperaste-me, Mãe. 

e escreveste-me os postais mais bonitos que já recebi. 

Esperaste-me, Mãe. 

e ensinaste-me a fé das palavras e a escrever como quem chama.

Esperaste-me, Mãe. 

e fumaste comigo todos os fins de tarde de Verão perto do mar.

Esperaste-me, Mãe. 

e viste beijos nas falhas e abraços nas ausências.

(desculpa)

Esperaste-me, Mãe. 

e percebi contigo que as Mães deixam com os filhos uma espécie de pergunta no mundo. 

Esperaste-me, Mãe. 

toda a vida, toda a noite, sempre no lugar onde começava o regresso. 

Esperaste-me, Mãe. 

a porta sempre aberta, 

a roupa, às vezes, suja dos enganos do mundo. 

e tu, sempre. sempre tu e os cigarros como se o mar estivesse por perto e houvesse luz. 

Esperaste-me, Mãe. 

e eu trouxe de ti a tal pergunta cravada no leito dos olhos. 

Esperaste-me, Mãe. 

(Obrigado.)

eu volto sempre a tempo de um cigarro e um beijo 

que é como quem diz, minha Mãe, que és tu a resposta que vim ao Mundo para aprender. 


RM | X.XI.MMXV. 

 


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