Rewind

sábado, 15 de abril de 2017

Avós,

os vossos nomes e uma luz que se acende -
nas paredes dos corredores, marcas de dedos e eu a correr
gritando, inteiro,

Vovó, Vovô, 

e a ser feliz no meio do ruído amplo de um amor despreocupado
a ser todo dessa vontade de um futuro que vos guardasse sempre como num abraço
e a ser mais vosso a cada promessa cumprida na forma de um sorriso

os vossos nomes,

Milinha e Bininho, 

e as paredes do meu coração todas escritas de saudade -
a letra firme da luz do vosso milagre na minha vida
e o orgulho de me poder abrigar debaixo da verdade que sempre nos uniu

os vossos nomes,

e uma casa de onde nunca sairemos -
uma mesa alegre que nunca se levante
e onde sempre se celebre apenas os que escolhem ficar

os vossos nomes,

e quanto de mim são vocês -
a vontade de sorrir,
o sabor da certeza no sangue,
a possibilidade eterna de um regresso

ou, então, o conforto do silêncio,
as roupas gastas em que se cheira a vida que tivemos
e em que sempre sentimos um ventre quente de uma casa

os vossos nomes,

e a pele que me lateja do lado de dentro,
o medo de não saber escrever nunca na língua da vossa ausência
de não saber respirar o ar de alguma distância que nos separe

os vossos nomes,

meu Avô, minha Avó,

falados no presente, sempre.

e ter sido isso que vocês foram para mim - um presente.

Para o Ricardo, 
os vossos nomes,

e eu um embrulho-pessoa que quem visse por dentro saberia dizer,

Obrigado, 

e onde existe um corredor infinito de gratidão a que escolho voltar
só para poder correr e chamar-vos,

Vovó, Vovô,

e saber que, afinal, estou em casa
e que isso chega.

RM|XV-IV-MMXVII 
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