Rewind

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

janela,

como se desta janela se pudesse apenas ver o teu rosto
e a primavera trazida pelo vento fosse sempre a do teu corpo
como se neste vidro pousasse apenas a brisa do teu regresso
e as ondas desenhassem ao longe promessas no poente

como se este chão de espera aguardasse os teus passos lá no fundo
e se levantasse no ar que chega a alameda generosa do teu cheiro
como se nesta cama os teus beijos fossem caligrafia de uma saudade antiga
e a minha boca repetisse o teu nome por entre as sombras

como se neste quarto ardesse mais uma noite de promessas
e os meus dedos fossem o ar que desperta o galope do teu peito
como se viesses recolher as estrelas que caíram dos meus olhos
e ainda houvesse uma réstia de chama nos teus dedos

como se pudesses esquecer-te de partir por uma vez
e cortasses a distância com os passos amplos de um sorriso
como se me esperasses deitada sobre o bem que fizemos junto ao mar
e a minha boca se abraçasse para sempre na luz da tua

RM 

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