Rewind

domingo, 21 de julho de 2013

do amor|

O amor é, por definição, um lugar pouco povoado. Só assim se revela o mistério profundo dos seres a caminharem dos dois lados de um mesmo caminho. E o amor morre sempre com os amantes - é somente a pele o manuscrito do que se vive, a terra de todos os impactos, o céu de todos os armistícios, a testemunha de todos os crimes. A intimidade nasceu para permitir o amor - e o amor é feito dessa extensa camada de despojos que se alojam sob a pele e pousam nela sem que os olhos da multidão os vejam.
Amar é saber ler de olhos fechados - as letras, as palavras, a linguagem do amor é, de súbito, o outro, a sua forma de pontuar a vida, de pronunciar as coisas e de as demorar no fundo dos olhos.
Amar é  fluência numa língua estrangeira; é ser refém e sentir aumentada a liberdade, porque cada coisa surge ampliada e engrandecida pela gramática que só aprendemos depois nos conjugarmos e à nossa existência no plural.    
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