Rewind

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Falo-te, hoje, da saudade. Falo-te, sim, desse sentir faltar-nos um pedaço. Falo-te da evocação das estórias. Da saudade de ouvir a tua voz a animar a lembrança silenciosa que tenho de ti.
Falo-te de querer alimentar essa lembrança. E ver-te sorrir tantas outras vezes, como da primeira. Hoje alimento-te do que sou. E és mais minha do que tua, nesse manter-te viva.
Saudade da tua voz a rasgar o ar quieto. Do teu toque. De termos criado horas mais longas e noites mais profundas onde cabíamos os dois. Ali, a apreciar o sol e a chuva. E, com o luar, coalhado pelo vidro, a escorrer no soalho.
Saudades de ti a adormeceres o meu corpo, como bem sabias. A ensinar-lhe a calma, a quietude e o deleite.
Hoje, no mesmo sítio, descobri nas noites um fundo maior. E já não sei inventar-me a mim, apesar da mesma Lua, através do mesmo vidro. Já não há os teus passos no mesmo soalho. Por vezes, imagino que te peguei ao colo.
E quando fecho os olhos, sinto na casa ainda o teu eco. Talvez seja a minha saudade a procurar por onde fugir. Mas a janela está aberta, e ela não foge.
Hoje a lua brilha no céu. Como me verá ela sem ti? Eu, sempre em lua-nova, agora.
As horas passam. O corpo, a quem falta a tua calma, acaba por pesar. E a lua que, ao contrário de mim, sempre se enche, lança com o luar a tua imagem na sala. E tudo parece um pouco menos fundo, de repente.
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